terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Da janela II

já é verão de novo e a gente não foi na praia ainda e eu acho que tu nunca iria mesmo
e também presumi que talvez em outro continente tu nem voltarias vivo!
dos céus do teu coração gélido
onde neva tanto que estremece
tua alma

tanto faz
"eu queria tanto ter dito o quanto eu me diverti mas eu não sabia como, acho que eles pensaram que eu não gostei do passeio, me sinto mal"
-e mais alguns postos de gasolina mãos trêmulas seguram cartões que dizem e gritam de euforia
e são caros

é que ninguém te machuca e te fere tão intensamente porque estás tão protegido em céus altos prédios altos
tantas grades e olhares tristes pra baixo que observam pedestres e vida ambulante que tem rotina e angustia nos rostos

"não faz tanto tempo assim desde o nosso último encontro, certo? -errado"
mas não tempo cronológico e sim tempo de alma constante (de novo)

não posso deixar de lembrar um dia
final de tarde te encontrei as ruas laranjas e o sol baixo
não falaste nada
depois apartamento e morfina
desculpa, é só uma ironia

eu queria que esse dia fosse amanhã
confundi algumas coisas e agora
desejo com todo meu amor que quando eu acordar seja esse dia
eu desejo tanto que me falta o ar e me doem os órgãos

(nunca foi tão ruim assim quanto no dia seguinte)

domingo, 11 de janeiro de 2015

sofá

na tv filme de sessão da tarde
filme ruim aventureiro e dublado
tu cozinha tanto sozinho
tão sozinho

"e eu sou só coadjuvante da vida de alguém brilhante"
e tudo qu'eu penso é tão particular íntimo reservado que tu nem jamais depois de mil vidas baseadas em baseados reais
tu vá descobrir ou ao menos chegar perto

bobagem
eu só estou alterada
estou furta cor
de todas a sensações que já senti no mar da tua cama
que me afoguei e morri
mas acordei com as fofurinhas de quem sente carinho e dá carinho

é simples demais
é real demais
por que diabos eu fico tão metódica sob cor verde
eu não entendo a comida da casa
porque é tão fácil

e eu achando que era difícil cozinhar
surto de segmentos inexistentes que se materializam nessa tela e viram mediocridade escrita
não importa
é só pra fingir que eu ainda faço algo quando sinto tanto que me faltam as expressões externas

eu entendo não gosto mas entendo
tá tudo bem
ninguém vai se afogar na própria insuficiência hoje só hoje


sábado, 10 de janeiro de 2015

de madeira

eu tô é doente da alma
doente do sangue que insiste em dizer que ainda aguenta

meu
corpo que mal se sustenta ainda aqui aquece de nervoso
e que se destrua
por debaixo das convenções ilustrativas de quem diz me cuidar
pra quem controla é tudo imagem


eu não tenho dignidade, não agora
não sei mais até que ponto eu sou eu pra assumir e sofrer
e aqui tem gente que grita e eu não enxergo

mas aqui dentro tem gente que morre e eu não ouço
tem algo doentio e truculento consumindo minhas telas

eu sou tão fraca que tomaram todos os sistemas que compõem quem aqui fala
e só fala porque sente
sente dor de impotência e fragilidade
todavia passarão e se apagarão
eu passarei

eu odeio todos esses papéis de letras garranchadas que me enfiam drogas
odeio todos esses números que dizem saber sobre minha existência
a minha medíocre existência que a vocês pouco importa
eu sou baixa demais pra essa conversa

"lamento teu arrependimento
e a tua agonia de estar corroendo-se de enfermidade e insuficiência,
azar,
ainda tem muita volta
sete voltas de coragem,
não é nada, nada! por deus
eu tenho que gritar?"