domingo, 19 de março de 2017

car(m)inho

é muita mágoa antiga que tá enterrada debaixo desse prédio alto
qu'eu não sei como tanta flor e tanto amor vieram pra esse lado
não que não seja terrível estar sob o pulso intenso mas agora é mais leve

é um tempo diferente que permeia a minha história nesse ano
muito diferente
porém que elevou nossa felicidade e nossa alegria
"a nossa"
desculpa, é a minha mesmo.

que seja terno e duradouro, já é!
parece coisa de sempre mas é antiga e recente (?)
nem me confundo tanto mais, só parece
parece que eu amo tanto e nem sabia que podia amar assim
será que eu posso enlouquecer de amor?
tem uma linha que limita? tem uma trava de segurança pra amar?


eu não tô entendendo como amor maduro só cresce e me derrete inteira
maldita hora em que tu resolveu sentar nas escadas do prédio, maldita hora em que eu estava sóbria o suficiente pra estar completamente puta e ter a coragem a coragem e a fragilidade de chorar em tua frente
e não devia ser assim
eu não sou assim
e nem tava chovendo mas foi tão triste

chorei 6 quadras
foda-se
tu quase me atropelou e nem viu
e o pior das minhas confusões é que nesse dia tu nem existia neste continente

aqui tu volta e diz que só quer uma desculpa pra despir-se
"ele a acompanhou lá pra trás do prédio, ela tinha que fazer xixi, todavia eu sangrava e estava lá. Ele ficou esperando, olhou pro céu, mexeu no celular caro para ver as horas, e me olhou, e a moça foi fazer xixi no cantinho das moças que fazem xixi atrás de prédios nas festas da faculdade









sexta-feira, 21 de agosto de 2015

DE NOVO(velho)


eu acredito fielmente na tua sobrevivência diante deste rio gélido
acredito que desta vez num outro continente tu voltas vivo
eu juro que acredito
mas não nego que neva no teu peito.
pior que sempre na segunda vez em que creio na verdade já superada, é sempre mentira. hahaha

eu tô curiosa pra saber qual é a tua dor de hoje que te faz olhar pra baixo e chorar as mágoas rotineiras
é tão alto e tão cinza que parece porto alegre
na janela
da janela

"eu posso sentar no chão do aeroporto e esperar mas eu estaria sendo hipócrita ao fotografar o afeto que deita no meio da multidão turva afeto que abraça e lacrimeja de saudade e idealismo"

tem tanta gente aqui me falta o ar
todavia eu que controlo a infinidade dessa máquina cruel e inteligente
eu sou dona disso tudo, consciência sofrida

eu espero porque a socialização não falha, me fez
me fere e eu continuo cortando
fímbria de resistência afaga anseio
volta

e me olha


morro púrpura morro amarga sozinha tremendo no banheiro
no teu banheiro mármore branco
quarto marfim coberto de pó
e eu só repito as dores e os nomes

estamos congelados
por favor, nos coloque no microondas 

respira

teu perfume nojento e caro tá no meu cabelo mas na tua cama eu não deitei
eu sou estou sozinha nessa longa rua
e que tenham visto, e que tenham dito sobre nossos corpos próximos
eu sou minha mesmo

a gente é fabricado
tão fabricado que deveríamos nos vender
desculpa
já nos vendemos e não sabemos

a tua ilusão é gostosa.

ontem eu estive na tua cama e quis morrer púrpura

domingo, 31 de maio de 2015

uahuhwuahuwhauhauwa

será que eu vou ter que jurar mais uma vez que "não, eu não vou fazer nada"
faltam nove dias pra um ano desde o nosso jantar de imagem

café e cigarro na mesa de fora
três horas da tarde, fumar um
à noite morro e festa
banheiro

e eu não falo sobre o sentido dos teus charmes e dramas
nem sobre a dona que fala e me pergunta "mas onde vocês vão? querem algo pra comer?"
não sou nova, não estou no sofá esperando
falo sobre a fímbria das minhas mágoas que ferem liberdade

te vi
é um ataque cardíaco qu'eu tenho
quente
de euforia que alimenta a curiosidade da alma
dor e saudade



domingo, 8 de fevereiro de 2015

de renda

venderam o quadro que eu queria
e eu acho que tu ainda sofre por debaixo desse sorriso
tu morre por ela?
eu carrego a mesma culpa

"tudo bem, entendo, não gosto mas entendo" - disse e olhou distante só pra fingir não se importar
porque fingir se importar é quase igual a se importar
e fingir não também é

e eu que não consigo falar sobre uma alma só
e eu que corro até estourar os pulmões
mas amor
eu sinto tanto amor

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Da janela II

já é verão de novo e a gente não foi na praia ainda e eu acho que tu nunca iria mesmo
e também presumi que talvez em outro continente tu nem voltarias vivo!
dos céus do teu coração gélido
onde neva tanto que estremece
tua alma

tanto faz
"eu queria tanto ter dito o quanto eu me diverti mas eu não sabia como, acho que eles pensaram que eu não gostei do passeio, me sinto mal"
-e mais alguns postos de gasolina mãos trêmulas seguram cartões que dizem e gritam de euforia
e são caros

é que ninguém te machuca e te fere tão intensamente porque estás tão protegido em céus altos prédios altos
tantas grades e olhares tristes pra baixo que observam pedestres e vida ambulante que tem rotina e angustia nos rostos

"não faz tanto tempo assim desde o nosso último encontro, certo? -errado"
mas não tempo cronológico e sim tempo de alma constante (de novo)

não posso deixar de lembrar um dia
final de tarde te encontrei as ruas laranjas e o sol baixo
não falaste nada
depois apartamento e morfina
desculpa, é só uma ironia

eu queria que esse dia fosse amanhã
confundi algumas coisas e agora
desejo com todo meu amor que quando eu acordar seja esse dia
eu desejo tanto que me falta o ar e me doem os órgãos

(nunca foi tão ruim assim quanto no dia seguinte)